Dino MenascheCONTOS & MEMÓRIAS

Crônicas · Crônica esportiva

A copa do mundo é nossa…

Por Dino Menasche
Escrito em julho de 2026 · dia não informado

Bola de futebol, cachecol e rádio numa mesa diante de uma praia.
Ilustração artística inspirada no texto de Dino Menasche.
Para ler com calma

Esta manhã acordei melancólico.

Acompanhei,na noite passada,aqui de Portugal onde estou a viver, a partida entre Espanha e Argentina.

Certamente acompanhado de,

pelo menos,um bilhão de espectadores ,word wide!

Muito provavelmente,a maior audiência da história.

Enquanto relembrava os melhores lances da epopeia,não tive como evitar uma,radical volta ao passado. Meu passado.

Tinha apenas doze anos.

Já gostava,e muito,de futebol.

Era torcedor do Fluminense e apenas havia assistido a uns poucos jogos, no Estádio das Laranjeiras.

O Brasil,seria sede da primeira

Copa do Mundo pós-guerra.

No Rio de Janeiro,onde morava, não se falava em outra coisa!

A abertura do certame, no Estádio do Maracanã,mandado construir,especialmente,para albergar a maioria dos jogos,estava prevista para o dia 24 de junho de 1950.

Na ingenuidade do meu pai,que de futebol não entendia nada, fomos com pequena antecedência para o Estádio para comprar os ingressos - os mais baratos,a geral.

Era,simplesmente,a estreia do torneio, quando jogariam Brasil e México.

Ao chegarmos,nos deparamos com um mar de gente,que nos impediu de sequer nos aproximarmos de qualquer bilheteria.

Cavaleiros da Polícia Militar, baixavam o sarrafo,nos que ousavam furar a fila.

Resultado;batemos em retirada e acompanhamos o desenrolar da peleja,pelo rádio de pilha,no interior do lotação!

O Brasil goleou o adversário!

Como é claro,fiquei muito chateado,sem ousar reclamar do papai,mas no fundo,o culpando do ocorrido.

O torneio prosseguiu,com jogos também em outros estados.

O desempenho da equipe anfitriã continuou,impecável.

Foi quando fui agraciado pelos deuses,representados por meu tio Rafael,com a notícia de que,no dia seguinte iríamos assistir ao embate Brasil e Iugoslávia,em cadeiras especiais.

Deu tudo certo,para mim maravilhoso,e a equipe anfitriã

venceu por dois a zero.

Foi tal a euforia na família,

⁃ sempre ignorante do solene esporte bretão - que um

bando de virginais aficionados,

bancou a transação e a peso de ouro,fazendo a alegria dos cambistas,adquiriu uma série de cadeiras.

Jogavam Brasil e Suécia.

Desta vez,apesar da mordomia, a bagunça era tal que chegamos atrasados dez minutos,com a partida já começada.

Minha tia, que não fazia a menor ideia do que estava a assistir,perguntava o tempo todo por que a maioria dos marmanjos corria sem a bola?

Como ninguém lhe dava atenção, ficou emburrada no seu canto ,até levar um baita susto com o clamor da torcida.

Gol do Brasil! Final 7x1.

O próximo adversário era a temida Fúria Espanhola.

Diante porém da retumbante vitória sobre a Suécia,os prognósticos davam um razoável favoritismo para nossa Seleção.

O resultado foi maior do que o esperado. Outra goleada, 6x1.

Estávamos a dois centímetros do título.

A única dúvida que subsistia,era a diferença de gols.

Horas antes da partida,entrevistas foram gravadas, em que os jogadores revelavam o que pretendiam fazer com o bicho pela vitória.

Os principais jornais do país,já haviam começado a rodar,edições extraordinárias sobre a conquista da Copa!

O discurso do Presidente Vargas já estava redigido.

Nunca o ufanismo nacional havia chegado a tais níveis.

Pelo lado uruguaio - que conheci mais tarde,por ter casado com uma uruguaia - a preocupação era a de uma saída discreta.

Tinham se hospedado num hotel mequetrefe,sua delegação era a menor possível,e embora tivessem sido campeões mundiais por duas vezes, nutriam mínima esperança de um resultado favorável.

Até porque o empate -nem pensar - favorecia o time da casa.

O país parou por inteiro.

No estádio não cabia uma pulga.

Fora dele, a população estava ligada aos aparelhos de rádio.

O jogo começou como esperado.

Pressão brasileira. O visitante defendia-se como podia.

O primeiro tempo terminou empatado; Zero a zero.

A torcida cantava sem parar.

Era,apenas,uma questão de tempo.

Na segunda parte as coisas entraram nos eixos.

Logo no início,Friaça abriu o placard.

A porteira fora arrombada,para a goleada.

Os uruguaios,sem mais nada ter a perder, partiram para o tudo ou nada.

Seu capitão, Obdulio Varela, um sujeito corpulento,com cara de poucos amigos, encostou no Bigode,defesa do adversário.

Sussurrou alguma coisa em seu ouvido - o que foi,ninguém saberá

contar. -

O que é certo,é que a partir deste momento,ele evitou contato físico com os atacantes da Celeste.

Coincidência ou não, o clima entre as equipes começou a mudar.

Os defensores do Brasil,evitavam o corpo a corpo.

Passaram a marcar a distância.

O resultado logo apareceu.

No sexagésimo sexto minuto,

Schiaffino,meia uruguaio encontrou uma brecha,chutou e empatou a partida.

Este goal deu um banho de água fria na equipe brasileira e,por tabela,na gigantesca torcida.

Até este momento,o Brasil ainda era campeão mundial!

Erradamente a equipe recuou,dando espaço aos

atacantes do adversário.

O jogo foi ficando dramático, ataque contra defesa.

Os visitantes se defendiam como podiam.

Num contra-ataque,

a pelota sobrou nos pés de Ghiggia,-até então desconhecido atacante uruguaio - que ,meio desequilibrado,arrematou para o goal. -

Barbosa,o goleiro do Brasil,

saltou

atrasado a bola passou por baixo de seu corpo e foi dormir no fundo da meta.

O impossível acontecera!

Uruguai 2x1.

O campeão mudara de lado.

Os minutos finais decorreram num clima de loucura total!

Ninguém naquele Estádio lotado,nem mesmo os jogadores das duas equipes,acreditava no que estava acontecendo.

Quando o juiz apitou o final da partida,ouviu-se o maior silêncio da história do futebol mundial.

Duzentas mil pessoas,caladas ou chorando baixinho, acompanhavam o velório de uma

Seleção quase campeã.

Os vencedores,cumprimentaram o público e rapidinho correram para o vestiário.

O resto todo o mundo soube e comentou,espantado.

Surgira para a eternidade, o Maracanaço!

Pelo lado do Campeão, a turma escapou,discretamente, para o hotel,receosa de um massacre no estilo da Noite de São Bartolomeu.

Foi preciso meu futuro sogro para acalmá-los,ao convidá-los para um assado numa churrascaria em Copacabana.

.Tudo muito discreto.

Foram recebidos em Montevideo,como heróis da pátria!

A segunda Copa foi completamente diferente.

Foi na Suíça, no ano de 1054.

O Brasil não havia,ainda,se recuperado plenamente do fracasso no Maracanã.

Por mim,acompanhava o certame com pouco interesse.

Mas,a performance de nossa equipe,animou-me o suficiente para ouvir,

no rádio da casa de meus pais, a narrativa da partida contra a Hungria,que era a sensação do torneio.

Naquela tarde,almoçava conosco

um casal que muito admirava.

O marido,superinteligente,falava muitas línguas mas não tinha o menor interesse no futebol.

Isto me obrigou a acompanhar a partida bem baixinho.

Os magiares em dez minutos,já venciam por dois a zero.

A partida terminou com a vitória dos húngaros por quatro a dois,naquela que ficou conhecida como “ A batalha de Berna.”

Só para constar. A equipe de Puskas - com certeza uma das melhores de todos os tempos - acabou derrotada pela Alemanha por três a dois.

Quatro anos depois,desta vez na Suécia,lá se foi nossa Seleção para a Escandinávia.

Seu técnico,

um gordinho,Vicente Feola.

Uma nova geração fora escalada.

Bastante descrente,continuava a acompanhar as partidas pelo rádio.

Desta vez,porém,havia algo diferente no ar.

Os narradores descreviam os lances cheios de entusiasmo.

Verdade ou mentira, passavam para os ouvintes a sensação de jogadas espetaculares.

Nomes como,Newton Santos,Garrincha e Pelé,entraram no imaginário da torcida brasileira.

Numa partida memorável,o Brasil bateu a Suécia e tornou-se,pela primeira vez,Campeão Mundial.

Filmes da competição chegaram

aos torcedores dos diversos países.

O mundo descobriu,encantado,o futebol brasileiro.

Novamente chegou a data tão esperada.

A Seleção embarcou para o Chile,desta vez recheada de medalhas de ouro.

Logo na primeira partida,Pelé se contundiu e a Copa acabou para ele.

Foi,então, que Garrincha ocupou o seu lugar e,comandando os companheiros,trouxe de novo a Taça Jules Rimet para o Brasil.

A campanha de 1966,na Inglaterra,não poderia ser pior.

Embalados pelo bicampeonato,achávamos,equipe e torcida que daríamos um passeio nos outros.

Desta vez,motivado pelo trabalho,ouvi as narrativas através de alto-falantes pendurados nos postes do centro da cidade.

Infelizmente,a multidão de ouvintes não conseguiu animar nosso time.

Fomos,vergonhosamente,rifados do torneio,ainda na fase de grupos.

Chegou,então,o ano de 1970.

O Brasil se encontrava no ápice do Governo do Presidente Medici.

Ditadura braba!

Grandes mudanças ,tentavam apagar o fiasco no Reino Unido.

Um jornalista ,inteligente,radical,esquerdista, estourado assumiu as rédeas da nossa Seleção!

Estava criada “As feras do Saldanha”.

Passando como um trator,sobre politicagem,interesses financeiros e demagogia,montou um timaço com os melhores jogadores do país.

Classificou o país,com um pé nas costas e tudo estava pronto para embarcar para o México.

Infelizmente,para ele,nosso amigo não fugia da luta. Muito pelo contrário,adorava uma briga e,não levava desaforo para casa. Foi se meter com cachorro grande.

Logo quem: O primeiro dignatário da nação. Que por coincidência,também julgava entender de futebol e como gaúcho que era não corria da refrega!

Mandou um recadinho para o treinador. Uma mera sugestão.

Incluir na lista dos convocados o nome de um centroavante,

Serginho Chulapa.

Foi mexer num ninho de marimbondos

,João mandou o general à merda!

Discretamente,foi rifado.

Em seu lugar ,em cima da hora,foi entronizado Zagalo,bicampeão

mundial. Que não convocou o Chulapa!

O time desta vez,era com toda a certeza,o melhor de todos os tempos.

Uma constelação de estrelas, em pleno fulgor.

Pela primeira vez,os confrontos eram televisionados,ao vivo, gravando os mínimos incidentes,para a posteridade.

Não é preciso entrar em muitos detalhes.

Todo mundo se recorda,daquela equipe genial, que lavou a égua,e trouxe definitivamente,para este país ,a Taça Jules Rimet,de ouro maciço.

Para quem não sabe,a bendita taça foi furtada da CBF e,por milagre,encontrada e devolvida ao seu lugar.

Como soe acontecer,neste país

chamado Brasil,foi novamente afanada e,desta vez,perdida para sempre.

Na Copa de 1974,na Alemanha Ocidental, chegamos de salto alto,montados nos louros do Tri.

Só que desta vez o buraco era mais embaixo.

Duas seleções se destacaram neste campeonato.

A primeira,disparado,a Laranja Mecânica,uma coisa impressionante,jamais vista anteriormente.

Estava em minha casa,na Ilha de Itacuruçá, quando a vi jogar pela televisão pela primeira vez.

Um bando de figuras,com uniformes laranja, ocupando todos os espaços do campo,no ataque e na defesa.

A esquadra holandesa ,comandada por Johan Cruyff,botou o tricampeão na roda.

Por sorte,perdemos por apenas

2x0.

Na final,novamente,o milagre aconteceu.

A Alemanha de Franz Beckenbauer,encaçapou,por 2x1 a Holanda.

Ficamos,num medíocre quarto lugar.

Chegou a vez da Argentina.

Feroz governo militar.

O ano de 1978,foi muito duro para nossos amigos do Prata.

Um grau de violência,brutal contra a oposição.

Em suma. Essa Copa teria que ser ganha por eles,de qualquer maneira.

E acabou sendo.

O Brasil foi garfado do começo ao fim.

Tive o desprazer de assistir,na televisão ao vivo e a cores,a maior chicana de todos os tempos.

Desde o goal de cabeça do Zico,anulado por exceder o tempo,por cinco segundos.

Vergonha!!

Depois o triste jogo contra o Peru.

Os hermanos precisavam ganhar por quatro tentos de diferença.

Venceram por 6x0.

Os peruanos,obviamente,subornados, faziam um esforço terrível para facilitar sua própria derrota.

Ao final,o Brasil conquistou um terceiro lugar, terminando invicto o torneio.

Em 1982, Espanha.

A equipe brasileira jogava por música.

A imprensa especializada, a havia eleito como a melhor da competição.

Tinha razão. Raras vezes,fora formado um plantel tão homogêneo,solidário,brilhante e objetivo.

Dava prazer vê-los atuar.

No esporte,como na vida,nem sempre vence o melhor.

Vide a Hungria de Puskás e a Holanda de Cruyff.

Numa final diabólica,onde o empate nos favorecia,duas pixotadas do Cerezo entregaram a partida para o Paolo Rossi golear.

Passou para a história como

A Tragédia de Sarrià.

Pulamos para 1986.

Novamente no México. País de tantas,boas,lembranças.

Desta vez,infelizmente,tudo foi diferente.

Fomos eliminados pela França,nos penalties.

A ironia é que,ainda no segundo tempo regulamentar, Zico perdeu um penalty,que se acertasse mudaria o resultado do jogo.

Campeã,a Argentina.

Liderada por Maradona,que fez o goal contra a Inglaterra,chamado de “ A mão de Deus “.

O mago completou o placard com o “Goal do Século”..

Inacreditável.

Novamente,esta geração tupiniquim,tão boa, retornou para casa com o rabo entre as pernas.

Itália,1990.

Voltamos para a Europa.

Para a terra do bel canto,da pizza,das gôndolas e de Maradona.

Explico. Neste ano,o gênio portenho,ainda estava jogando no Nápoles,onde se tornara o maior personagem da cidade, acumulando vitórias.

Como sempre,o Brasil classificou-se.

Não adiantou.

Foi eliminado pela Argentina,num jogo em que estava melhor,num contra-ataque,fulminante.

A Alemanha Ocidental foi,novamente,campeã, num certame com , pouquíssimos,

tentos.

Estados Unidos,1994.

Um ano feliz para o futebol brasileiro.

Finalmente,voltávamos ao topo do mundo,com um timaço liderado por Romário.

Dava prazer ver os meninos da amarelinha jogar.

A televisão,cada vez melhor, nos mostrava, uma equipe aguerrida,lutadora,determinada e abençoada.

Numa final emocionante,disputada nos penalties, ganhamos da Itália e reconquistamos a taça!

O Brasil era tetracampeão.

A volta ao país dos vencedores,foi um espetáculo jamais visto.

Desde o aeroporto,onde da janela do avião,Romário abanava a bandeira brasileira.

Num carro de bombeiros,os campeões atravessaram a cidade acenando para o povo nas ruas.

No dia seguinte,em Brasília,foram recebidos pelo Presidente da República,numa cerimônia alegre e informal.

França,1998.

De retorno ao velho continente.

A Seleção desembarcou em Paris como favorita.

Merecidamente.

Seu retrospecto,espetacular.

O número de concorrentes passara de 24 para 32.

Um pequeno percalço,acendeu uma luz vermelha.

Fomos,surpreendentemente, derrotados pela Noruega,2x1 na

fase de grupos.

Não obstante, continuávamos favoritos!

Despontava no cenário mundial, um jovem goleador,Ronaldo Fenômeno!

Por caminhos paralelos,Brasil e França chegaram à Final.

Na véspera,uma bomba explodiu na concentração brasileira.

Ronaldo tivera repetidas convulsões.

Dr.Lidio Toledo,médico da Seleção, achou por bem,realizar exames mais apurados num hospital de Paris,para onde conduziram o artilheiro.

Aparentemente, o resultado foi negativo.

Porém,por prudência,a decisão se jogaria ou não,foi adiada até os minutos finais no vestiário.

Por sim,por não,o nome do reserva,Edmundo,foi relacionado na lista enviada à FIFA.

O titular,declarou-se melhor e insistiu em jogar!

Ao fim e ao cabo,a comissão técnica liberou o jogador.

Mas o mal já estava feito.

A equipe entrou em campo estressada,insegura,preocupada com o estado físico do colega.

Tinham razão. Ele mal tocou na bola.

Resultado; uma atuação abaixo do normal.

Sem culpa nenhuma, o adversário,liderado por Zidane,esmagou os tetracampeões.

França 3x0. Campeã Mundial!!

Copa do Mundo,2002.

Coreia do Sul e Japão.

Mais uma vez,estávamos na parada.

A equipe,amadurecida,com um trio atacante de sonho:

Rivaldo,Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Covardia. Chegamos na final,para enfrentar a Alemanha,com seis vitórias no

farnel.

Dois chutes do Fenômeno, mandaram os tedescos para casa.

Brasil,pentacampeão!!

O país do futebol!!

Alemanha. 2006.

O mundo era nosso. Não tinha para ninguém.

O Quadrado Mágico , KaKá,Ronaldinho,Adriano e Ronaldo,invencível.

Quase. Novamente um senhor

ataque.

Esqueceram de informar a Zidane.

Capitão novamente,da esquadra francesa,o melhor jogador em campo,pelos pés de Thierry Henry,despachou o Brasil de volta para casa.

A vingança tarda mas não falha.

Na grande final, entre França e Itália, o líder gaulês ,pintava e bordava.

Era só uma questão de tempo, para enterrar o adversário.

Num entrevero normal,nosso herói esbarra no seu marcador,

Materazzi.

O italiano,diz qualquer coisa no ouvido do francês,que em resposta, desfere violenta cabeçada no peito do sujeito.

Nas barbas do juiz!

Cartão vermelho! Expulsão.

A França sente o golpe. Se descontrola.

O jogo termina empatado.

Penalties.

Itália,novamente Campeã do Mundo.

África do Sul. 2010.

Embarcamos,outra vez,em busca da Glória Eterna.

Agora com novo técnico,Dunga,o cabeça dura!

O terror das vuvuzelas,as cornetas africanas, acoplado à estupidez da comissão técnica.

Os melhores craques do país,não foram convocados.

Até hoje,pelo que saiba,ninguém explicou o porquê?

Nossa atuação foi medíocre.

Ganhamos de quem tínhamos de ganhar. Para perder,diante do primeiro verdadeiro adversário.

Ainda,na minha opinião, na África começou a degringolada da Seleção canarinho,como se verá a seguir.

Brasil, 2014.

A tragédia se repete.

O país inteiro se veste de verde-amarelo.

Os velhos estádios são reformados.

O ufanismo,volta a nossas plagas.

As novas gerações lambem os beiços.

Desta vez, o hexa não escapa!

Sejamos,porém,moderados. Discretos,mas otimistas.

A indústria do turismo,faz contas.

Vamos todos lavar a égua.

Calma pessoal. Alguém já sabe quem foi selecionado?

Pode ser importante!

Nosso técnico,Felipão já foi campeão. Melhor referência não há.

Quanto à equipe, pelo amor de Deus, não convocou Ronaldinho,Kaká,Philippe Coutinho?

Bem,tendo Neymar, meio problema resolvido.

Que azar. Estouraram com Neymar.

Não importa.Ainda temos Hulk,Fred, no meio-campo,Marcelo e na defesa Thiago Silva.

Sem falar,é claro do goleiro,Júlio Cézar.

Desculpem,esqueci. Thiago foi suspenso. Não joga contra a Alemanha, nossa freguesa.

Tenho certeza que ninguém esqueceu o que viu,naquela tarde fatídica.

O impossível,aconteceu.

Pela segunda vez,em nosso território, o torcedor brasileiro foi vilipendiado,escarnecido,debochado.

Marcado a ferro e fogo,como um povo vira-lata.

No entanto,a duras penas, sobrevivemos para as próximas.

Rússia 2018.

Com cara de pau,sob a regência do maestro Tite, de saudosa memória, estávamos,Seleção e espectadores,contemplando as cúpulas douradas do Kremlin.

Depois da tunda nazista,perdão tedesca, foi preciso muita estamina para voltar a acreditar em Papai Noel.

Mas o brasileiro é forte,indômito,indomável,inquebrantável,tenaz e burro!!

Quem sabe ,desta vez…

Ao menos,qual é a

equipe e os principais inimigos?

Quanto aos aliados,apareceram certos nomes,que vim a conhecer no futuro.

A não ser Neymar,fora de série,os outros,bons jogadores mas não passam disto.

Com relação aos futuros adversários,sérios candidatos ao título,os mais importantes eram,em minha opinião,França,Alemanha, Espanha e,correndo por fora,Argentina e Inglaterra.

Por incrível que pareça,a maioria dos comentaristas internacionais,colocavam o Brasil entre os mais prováveis.

A realidade foi um pouco diferente.

Fomos eliminados pela Bélgica,nos quartos de final.

Mais um algoz na nossa lista.

Catar,2022.

Um novo personagem entrou pesado no universo do ludopédio.

⁃ se não sabe o que quer dizer,busque no Google!

Há algum tempo,esteve ensaiando esta penetração.

Falo da grana,do tutu,do Almighty Dollar/Euro/ Franco Suíço.

Sempre houve corrupção na FIFA.

E grande. Os escândalos se sucediam. Cabeças poderosas rolaram.

Mas nada comparado como agora.

Os valores subiram aos céus.

Por este motivo,a escolha de Catar para sediar uma Copa.

Os principais candidatos ao galardão,eram os mesmos de sempre.

Pelo que percebi, Brasil estava incluído na lista dos favoritos.

Na minha opinião,erradamente.

O mesmo Mister,Tite, e algumas caras novas.

Vinicius Júnior, Richarlison,Rodrygo,Raphinha..

Os turistas que foram ao Catar para assistir aos jogos da Copa,ficaram maravilhados com o que viram.Luxo

e soberba dos donos do lugar.

O desporto, quase foi relegado a um segundo plano.

O Brasil,para variar,caiu nas quartas de final,eliminado nos penalties,pela Croácia.

Argentina,liderada por Messi,foi a vencedora,derrotando a França na final.

Ficamos devendo mais uma vez.

Copa de 2026. Estados Unidos,Canadá e México.

A maior competição de todos os tempos.

Participam,48 países. Divididos em doze grupos de quatro equipes cada um.

A do Brasil a que mais me interessa,era composta por Marrocos,Haiti,Escócia e o próprio.

Depois de difícil empate com o Marrocos, vencemos Haiti e Escócia, e passamos para a dezesseis avós de final enfrentando o Japão.

Nestas alturas,duas grandes surpresas. Caíram Alemanha e Holanda.

A vitória contra os nipônicos,duríssima,revelou mais uma vez,a fragilidade da nossa escola atual.

A partir do treinador,contratado a peso de ouro,que no meu entender,convocou mal,escalou pior, escolheu bisonhamente a tática empregada e fez as substituições na hora errada aos atletas que jogaram sem atitude,garra e vontade.

A hora da verdade,chegou no embate contra a Noruega.

Deu vontade de chorar.

Os escandinavos,pintaram e bordaram sob o olhar,plácido e bovino, dos antigos reis do futebol.

Pareciam aprendizes, admirando a performance dos professores.

Melancolicamente, fomos placidamente eliminados nas oitavas de final.

Mais um vergonhoso detalhe.

No avião fretado pela CBF,para o retorno dos jogadores e comissão técnica, só um atleta embarcou para o Brasil.

O resto da cambada,inclusive o Mister e seus acólitos, ficaram passeando,curtindo o verão.

Enquanto isto,os atuais mestres da bola,continuaram lutando,em busca da glória.

Pequenos países,sem qualquer tradição,surpreenderam o público,por sua garra e resiliência.

Fizeram história,para si mesmos e seus compatriotas.

Ao final,sobraram os quatro melhores do certame.

Na realidade,os quatro favoritos.

Nas semifinais,Argentina bateu a Inglaterra e Espanha a França!

Os perdedores,disputaram o terceiro lugar,numa partida sensacional ,talvez a mais espetacular de toda a competição.

Como tinham pouco a perder, abandonaram os esquemas e táticas,estratégicos e deixaram o jogo correr solto.

Com esta liberdade, a qualidade individual pôde aparecer.

Lindos dribles,passes em profundidade,sem o medo e a responsabilidade de errar, chutes de primeira, trouxeram de volta,por alguns momentos, o mágico desempenho de um Pelé,Garrincha,Ronaldinho Gaúcho ,para falar,apenas,de brasileiros.

O placard refletiu esta alegria de jogar.

Primeiro tempo: Inglaterra 4x0.

Segundo tempo: Inglaterra 6x4.

Na tarde seguinte,a grande e esperada final.

Argentina e Espanha,diante de uma plateia alucinada, que lotou o estádio ,

disputariam o primeiro lugar.

O American Way of Life,tomou conta do espetáculo.

Cantores,bailarinos,veteranos entraram em ação.

Até Donald Trump, o Rei e a Rainha da Espanha e outras autoridades ocuparam os camarotes.

A emoção estava à flor da pele.

Tudo prometia um jogaço.

Ledo engano.

Nunca se viu,numa final do Campeonato do Mundo, uma equipe atacar e chutar em goal vinte vezes sem que o adversário o fizesse,pelo menos uma vez.

Foi assim,o comportamento da Espanha. Amassou o rival.

Apesar de tudo, o tempo normal acabou em zero a zero.

Logo no início da prorrogação,os espanhóis conseguiram um tento.

Los hermanos,tentaram reagir,sem conseguir.

O juiz apitou o final e os vencedores se abraçaram comemorando a vitória.

Então,o inesperado acontece!

Leandro Parede, jogador argentino, sem mais nem menos,agride Gavi, da Espanha.

Isto desencadeou um conflito,sempre motivado pelos portenhos e devolvidos pelos campeões.

Inconformados,Messi e seus comandados dão as costas para a cerimônia de premiação, afrontando as autoridades presentes.

Um triste epílogo para a maior Copa de todos os tempos.

Para terminar esta extensa narrativa,volto ao meu país.

Não custa repetir:

Os mesmos senhores que nos levaram a esta situação deplorável,continuam dando as cartas.

O mesmo técnico,mesma filosofia,mesmos jogadores.

Quem sabe,a solução esteja ao alcance de nossa mão.

Voltar à bola de meia. Ao menino descalço da favela. Ao drible, à finta, ao elástico, ao chapéu.

Mais liberdade. Menos esquemas.

Mais Ronaldinho Gaúcho.

Menos Cristiano Ronaldo.

O Porto,julho 2026.

🦖👍🌹🍀🇧🇷⚽️👏🏆🙏

💐

Texto enviado pela família, com revisão ortográfica e gramatical autorizada. Estilo e voz do autor preservados.

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