Crônicas · Crônica de opinião
É impossível resistir.
Por Dino Menasche
Escrito em 10 de outubro de 2026

Já confessei ser viciado no uso do celular!
Reconheci,também,o mal que este aparelho,vem provocando na minha visão.
Até porque,o utilizo para escrever
meus contos.
Neste processo,cansativo e rudimentar,tenho constatado uma quantidade absurda de equívocos,de toda natureza.
Em outras palavras. Falta fazer a última revisão. Um pente fino para atingir a perfeição.
Mas,é isto o que tenho;
melhor pouco do que nada.
Esta manhã,como se fosse a primeira vez,entrei no YOU TUBE
e deparei-me com uma cornucópia de assuntos altamente sedutores.
Desde política,cinema,antiguidade,mundo animal,turismo,esporte à ciência,astronomia,religião,medicina,moda..you name it.
Toda uma vida não seria suficiente para o mergulho neste universo.
E o mais impressionante é sua constante renovação,sem abandonar o arquivo passado.
Com o ingresso na parada da IA,
o céu é o limite.
O mais assustador,na minha humilde opinião,é a simultaneidade da notícia.
Um assassinato em Miami é visualizado,ao vivo e a cores, em todos os rincões do Planeta Terra.
O cardápio desta semana,aliás como todas as outras é irresistível.
O buzilis é fazer a escolha.
Rodo a roleta virtual que tenho no cerebelo e a bolinha para no :
“Não deixe este vídeo morrer!”
Clico no retângulo vermelho e,milagrosamente, uma cena do passado recente,época da lava jato,aparece no écran.
É a cara do Senhor Lula da Silva,
que aparece em close up,respondendo surpreso e indignado, ao questionamento da Juíza Gabriela Hardt,substituta da 13 Vara Federal de Curitiba.
Em uma palavra: Patético.
Uma preciosidade,retratando um momento importante da história do Brasil.Quem diria,que o indiciado,seria novamente eleito,presidente da nação!
Vou continuar explorando a ementa.
Manchete. O casal mais amado da televisão brasileira. Até o fim.
Reportagem que conta a história da relação entre Tarcísio Meira e Glória Meneses.
Contracenaram em dezenas de novelas de amor.
Quis o destino que ambos pegaram COVID e ele faleceu.
Sua mulher o acompanhou este ano.
Mudando para o esporte,uma despedida emocionante,devidamente registrada nos mínimos detalhes.
A última partida de Lionel Andrés Messi jogando pela seleção Argentina.
Mas isto é,tão somente,a ponta do iceberg.
Neste exato momento,em que com o auxílio de minha ponteira escrevo estas linhas,navego até o Google para saber qual a temperatura lá fora.
Ou melhor ainda.Descobrir o exato resultado da partida Flamengo contra Fluminense,que acabara de terminar empatado,no tempo regulamentar,no Maracanã e aguardava a disputa nos pênaltis.
Isto a nove mil quilômetros de distância.
Enquanto espero,com quatro horas de defasagem - fuso horário - confirmo o endereço do restaurante onde pretendo jantar esta noite.
A simbiose é tão grande,que não ouso separar-me de ti,meu irmão camarata um só minuto.
Vejam meus amigos,futuros leitores.
Cometi um erro banal numa palavra acima.
Tenho uma alternativa.
Deixar como está,na expectativa de que ninguém perceba o equívoco.
Ou descobrir um sinônimo mais adequado e,simplesmente,trocar a infeliz.
Isto tudo,deitado na cama,sem incomodar a mulher.
Escolho,a primeira hipótese.
Se contasse este evento para um amigo,vinte anos atrás,ele acharia que estaria brincando,ou pior,gozando com a cara dele.
Coça-me o olho. Um alerta para voltar a dormir.
É o preço por tantas besteiras.
Tenho que tomar juízo.
Até mais tarde,se Deus quiser!
Acordo assustado.
Vejo a hora no relógio.
Bolas,já são as dez.
Para confirmar, o carrilhão do quarto ao lado, repete o número,em badaladas.
Tenho que desligar o alarme.
Nossa secretária do lar deve estar a chegar.
Pelo menos,foi o que prometeu.
Tento voltar a dormir.
O sono não retorna.
Sem perceber, recaio no hobby favorito.
O amado telemóvel!
O noticiário matinal me desperta de vez,com informações requentadas.
Parece que tudo está normal no
front ocidental.
Bom pretexto para escolher um filme.
O vencedor foi,pela enésima vez,Casablanca.
Coloco os auriculares - som estereofônico - e eis-me de novo no Marrocos, encantado pela Ilsa Lund.
Como sempre não aceitei o final!
Queria que ela ficasse com Rick.
Uma dor incômoda no lado esquerdo,uma íngua na virilha,interrompeu meu devaneio.
Jogou-me,outra vez,para o colo da Inteligência Artificial,na procura de informações.
Estudei,seriamente,
os sintomas que sentia,em busca de um diagnóstico.
Cheguei à conclusão de que tudo indicava uma manifestação da hérnia inguinal, já detectada pelos médicos em crises anteriores.
Deveria ficar atento a uma eventual evolução,caso em que deveria procurar suporte de profissional do ramo.
Para acalmar a ansiedade,voltei a buscar apoio do amigo de todas as horas.
Um novo filme,dos meus favoritos, seria o remédio adequado.
Fred Astaire dançava com Cyd Charisse,Dancing in the Dark.
O título me faltava.
Novamente recorri ao meu guru.
A resposta veio rápida e correta como sempre.
The Band Wagon, em português,
A Roda da Fortuna.
A história é um pouco naïf,mas o ballet,inesquecível.
Trouxe-me à lembrança uma menina por quem fui loucamente apaixonado.
Era minha colega de classe,noiva de um cadete, e sonhava dançar com ela como no filme.
Complicado,difícil, mas o amor prevaleceu.
Tive um breve romance, curto e fugaz.
Ela casou com o noivo,separou-se e anos depois a encontrei na plateia de uma peça num teatro
de arena.
Não a reconheci. Uma senhora veio em minha direção.
Era ela,que se lembrou de mim.
Só para terminar esta passagem,
dançava com uma estagiária do meu escritório numa festa de fim de ano.
Conversando, não me recordo como,descobri que fora casada com o filho da dita cuja.
A realidade supera a ficção!
Continuo,cada vez mais,navegando nos meandros deste rio maravilhoso.
Consciente do mal que me faz à vista.
Impossível resistir!
Oporto,10 de outubro, 2026.
🦖👍🤷♂️🧿🌷💐🌹😢🦋🌈🙏
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Texto enviado pela família, com revisão ortográfica e gramatical autorizada. Estilo e voz do autor preservados.
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