Contos · Sátira política
Sonho numa noite de outono.
Por Dino Menasche
Escrito em 8 de outubro de 2026

O presidente Lula acordou extasiado.
Sorrindo,virou-se na cama em procura de Janja.
Seu lado estava vazio.
Que pena,pensou;queria tanto contar-lhe meu sonho.
Olhou o relógio sobre a mesinha de cabeceira.
Já era tarde. Tentou levantar-se,mas a preguiça não deixou.
Afinal já tinha idade e de quebra era o Presidente da República.
Só mais um minutinho. Acho que mereço.
O barulho de pesados passos,chama sua atenção.
É sua esposa querida,
que retorna da academia.
Que bom! Assim posso contar-lhe
o que sonhei.
Entra no quarto a Primeira-Dama.
Está suada,descabelada e corre para o chuveiro.
.O líder do PT,tenta correr atrás dela. Lembrança de uma ducha a dois.
Tropeça na aba do lençol e quase se estabaca no carpete.
Comenta consigo mesmo.
“ Luís Inácio,Luís Inácio! Tenha tenência! Você já caiu no outro dia.Sabe,não vá repetir a besteira!”
Com cuidado,caminha até o banheiro.
Abre a porta, e se deslumbra com aquele monumento de mulher saindo do chuveiro.
“ Bom dia,meu amor. Estou com uma vontade arretada de dar uma mijadinha.”
Ato contínuo,vai até a privada e se alivia.
É o tempo para que ela,já envolta na toalha,o abrace pelas costas.
Voltam,enrodilhados para o leito conjugal,onde ela se esfrega todinha no marido,oferecida.
“Agora não querida. Hoje não dá.
Daqui a pouco tenho a reunião de campanha e não posso chegar atrasado.
Se achegue um bocadinho para te contar meu sonho!”-Imagina Brasília,toda engalanada com bandeiras brasileiras e vermelhas do PT.
É o dia da posse.Chegamos juntos,como na última vez, e de mãos dadas subimos pela rampa ladeados por crianças que acenavam flores para nós.
Sabe quem nos esperava lá em
cima?
Minha mãe,Dona Lundu,com a faixa verde-amarela nas mãos.
Aí eu acordei. Não foi porreta meu sonho?”
A mulher pula
da cama,apontando para os ponteiros do relógio.
Estão atrasados.
Numa passagem de tempo,o casal toma rapidinho o café da manhã,servido pelos garçons do palácio e cada qual parte em busca de seus afazeres.
O pesado relógio de pé,toca seu carrilhão,marcando o meio-dia.
Através do blindex da sala de reuniões ministeriais,o assessor de imprensa contempla já um o presidente, no meio dos gurus marqueteiros dar as últimas recomendações, e aguarda com impaciência, sua saída.
Ainda faltam algumas providências a tomar.
Um clima de euforia envolve a cambada de conselheiros.
A vitória da esquerda, no pleito de amanhã é dada como certa.
Não só pelos recentes resultados das pesquisas,como também,pela força, perseverança e paixão pela causa patriótica.
O povo brasileiro,dirá NÃO,ao fascismo totalitário,NÃO ao imperialismo internacional,NÃO ao capitalismo desumano.
Viva o socialismo,Viva o operário trabalhador,Viva os sem terra,os desvalidos …
O assessor,interrompe seus pensamentos e corre atrás do primeiro mandatário da nação
para uma última entrevista.
Tropo tarde. O homem não para um minuto sequer. Admirável para um cara de oitenta anos.
Trocam apenas duas palavras enquanto ele seguia com os principais colaboradores para o helicóptero que os levaria ao Aero Lula para o último comício da campanha,em São Bernardo do Campo,berço do PT.
A chegada foi triunfal,como sempre. Um mar vermelho aguardava o discurso do velho líder.
O coro tradicional do lulismo,acompanhou o orador até sua subida no palanque.
Foi preciso um megafone,pois sua garganta,abusada pelo excesso,mal podia transmitir uma só palavra.
Andando no pódio, de um lado a outro,como se em transe,o orador estava em seu habitat.
Embriagado pelos próprios bordões, por palavras de ordem, slogans ultrapassados, brados revolucionários,conclamava a multidão para mantê-lo no poder. E a mantinha na palma da mão.
Saiu carregado pelo povo,seus correligionários de carteirinha.
À noite,de volta ao palácio,jantou com a mulher,nos seus próprios aposentos.
Fora por ela intimado a puxar o freio de mão e repousar,pois o amanhã seria um grande dia, o de sua consagração!
O país despertou diante das telas das televisões.
O assunto dos telejornais,em todos os municípios era sempre o mesmo.
Pelo menos,cento e cinquenta milhões de eleitores deveriam dirigir-se para
as secções eleitorais,para exercer o sacrossanto direito do voto.
O casal Lula da Silva,não fora diferente.
Ele votou,seguindo a tradição, numa escola pública em São Bernardo.
Ela,em São Paulo,no Alto de Pinheiros,no Colégio Rainha da
Paz. Foram devidamente filmados,entrevistados,adulados,aplaudidos,como soe acontecer.
Depois,se reuniram com assessores de campanha,para acompanhar as últimas projeções no Hotel Renaissance,na Av. Paulista,coração do proletariado,onde teriam pernoitado.
Na verdade,sigilosamente,já haviam retornado à Brasília.
Tinham,ainda,muita coisa a fazer.
Ela,com sua modista,aviar o modelito que usaria na festa da vitória.
Ele,para analisar com os marqueteiros,as últimas informações recebidas dos quatro quadrantes do país.
Os resultados,segundo eles,eram bastante otimistas.
Tudo resolvido no primeiro turno!
Não era esta,porém, a impressão do incumbente.
Aprendera em Guaranhuns,não comemorar enquanto o ovo estivesse no cu da galinha.
Mas não conseguia refrear o ímpeto dos assessores.
Planejavam,logo após a confirmação do resultado, jogar nas telas a voz do Galvão,berrando;
“ É tetra! É tetra!” Sobre a imagem da bandeira nacional tremulando ao vento.
Achou que chegara a hora de ficar sozinho,por algum tempo.
Foi até a capela do Alvorada, e fez uma prece ao Padre Cícero,pedindo sua bênção,como fazia quando criança.
Depois,por que não? um último apelo aos orixás!
Antes de voltar para seus aposentos,passou pelos jardins do palácio,para fazer um agrado às “ suas” emas. Umas folhas de couve,como prescrito pelo veterinário.
Então,mais tranquilo,volta para casa para aguardar a mulher.
Rejeitou tomar sua habitual dose daquela pura - lucidez era indispensável - e esperou o tempo passar.
Pontualmente,reuniu-se com sua entourage para assistir a divulgação do primeiro voto.
Flávio Bolsonaro!
A continuação,trouxe uma ducha de água fria nas cabeças dos acólitos.
Uma avalanche de direita,inteiramente inesperada, calou os incipientes gritos da torcida.
Um silêncio de velório,invadiu o recinto.
Ninguém ousava olhar para a cara do outro.
À medida que as urnas foram sendo escrutinadas,o silêncio foi sendo transformado, num misto de incredulidade,desespero,revolta,
frustração,medo e desalento.
Num certo momento,chegou -se a temer o pior.
Uma derrota na eleição presidencial.
👎
🖕🏼
👌🏾
😢
🤮
🤷♂️
🙅🏼♂️
A diferença entre os dois principais candidatos, só fazia aumentar,levando o pleito para um inesperado final.
Nada adiantava mudar de canal.
Os comentaristas, em sua maioria,preconizavam a eleição de Flávio Bolsonaro.
Então,lentamente,a direção do vento começou a mudar.
Como nos filmes de guerra ou de cowboys,os soldados do nordeste
começaram a chegar.
Não o suficiente para mudar a extensão da derrota,mas pelo menos,para deixar um fio de esperança.
Uma disputa no segundo turno.
Ao acenderem as luzes,Lula retirou-se do proscênio por alguns instantes.
Pediu tempo para analisar a situação.
Não precisava ser um gênio para decifrar o acontecido.
Uma mistura diabólica,entre incompetência,soberba,desinformação,menosprezo do adversário e erro crasso na escolha da estratégia.
E sobretudo. Desconhecimento da opinião pública,farta,revoltada e desiludida com anos de abusos e desrespeito.
Como sempre,o Presidente Lula,sequer cogitou em assumir nem a mínima parcela de responsabilidade pelo desastre ocorrido.
A culpa era,sempre dos outros.
Enfurecido, saiu em busca dos responsáveis.
Cabeças deveriam rolar.
A esquerda,ainda traumatizada pela porrada recebida,olhava para seu líder na espera de um milagre.
O primeiro a assumir qualquer culpa no cartório,foi o Ministro do Secom , Sidónio Palmeira.
Na linha de frente,colocou seu cargo à disposição.
Mas isto foi só o começo.
O velho general convocou seu estado-maior para imediata reunião no Palácio do Planalto.
Horas depois,uma caravana de automóveis blindados,levando
alguns dos principais quadros do Pt,muitos dos quais derrotados nesta eleição,comparece para o encontro.
Como esperado foi uma carnificina.
O anfitrião,enlouquecido,insultava gregos e troianos. Sobrou até para a primeira-dama,atacada por diversos caciques.
Logo passou a tempestade,desopilado foi o fígado, e retorna à liça o velho guerreiro.
Num depoimento de seis minutos,dispara a metralhadora giratória,desafiando o adversário!
Em sua peroração,mente desbragadamente, e convoca suas hostes para a luta.
Seu estandarte!
“ Sou muito bom no mata-mata!!”
Os dados estão lançados.
Na opinião da maioria dos cronistas, será ,extremamente difícil, reverter a situação.Mas estamos no Brasil,onde tudo é possível,inclusive a derrota da oposição.
Façam suas apostas.
As Bets clandestinas agradecem!!!
Oporto, 8 de outubro de 2026.
🦖🇧🇷⚖️🧿🪐🙅🏼♂️🤞🤔🍀🙏
🏆
Texto enviado pela família, com revisão ortográfica e gramatical autorizada. Estilo e voz do autor preservados.
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