Dino MenascheCONTOS & MEMÓRIAS

Memórias · Memórias da advocacia

Você acha que a justiça é cega?

Por Dino Menasche
Escrito em 6 de outubro de 2026

Documento, flores e um táxi diante de um tribunal ao anoitecer.
Ilustração artística inspirada no texto de Dino Menasche.
Para ler com calma

Não é. É muito cega!

Nossa história começa,num dia de verão no Rio de Janeiro.

Estávamos, eu e Cecília, na Sala VIP da Varig, aguardando o embarque da Ponte Aérea para São Paulo.

Naquela hora,seu filho Carlos Eduardo,mulher e filhos deveriam estar voando para Miami partindo do Galeão.

Quando o celular dela toca.

Quem chamava era seu irmão,o Zeca,com uma notícia avassaladora.

Carlos Eduardo,fora conduzido preso pela Polícia Federal e agora estava,recluso, na delegacia da

Rodrigues Alves.

A informação caiu como uma bomba.

Cecília,com uma calma surpreendente, me falou.

“ Vai você para São Paulo e eu…”

Não a deixei terminar.

Me dirigi ao funcionário da companhia e, alegando força maior,consegui extrair nossa bagagem do avião.

Já em casa,telefonei para meu amigo, de longa data , Nilo Batista,advogado como eu,para pedir orientação.

Seu conselho, de respeitado criminalista e professor,foi para que fosse para o local e que estaria enviando um colega de seu escritório para dar assistência.

Quando chegamos na delegacia, o jovem causídico já lá se encontrava,argumentando com o delegado.

Apresentei -me, mas não intervim na peroração.

Aparentemente,seus argumentos não funcionaram e ele despediu-se informando que,retornando ao escritório iria peticionar.

Nestas alturas,minha mulher tentava acalmar a nora e os netos,que desolados não sabiam o que fazer.

Só então,apresentei -me aos policiais,como padrasto e advogado.

A primeira providência que solicitei foi a de visitar o prisioneiro,no que fui prontamente atendido.

Conduzido para a cela,comentei com o carcereiro,no caminho achar estranho o abandono do lugar.

Respondeu-me que há uma semana todos os detentos haviam sido transferidos para outros locais e que a internação do prisioneiro,fora um equívoco do agente do aeroporto.

Meu encontro com o detento foi emocionante.

Ele,justamente assustado,lamentava sua sorte sem entender o porquê de sua prisão.

Acalmei-o como pude, e retornei para onde se encontrava a família

quando comecei a colher os detalhes do caso e a montar as peças do quebra-cabeça!

Pouco a pouco a verdade foi aparecendo.

Ao chegarem no aeroporto, quando estavam despachando a bagagem,um pacote chamou a atenção do atendente, o que criou um confronto entre o mesmo e a passageira.

O tema do conflito era a natureza dos objetos do caixote que,segundo o funcionário tratava-se de equipamento tecnológico de grande valor,sendo exportado sem a competente documentação.

O bate-boca foi evoluindo, e a senhorinha,com cabelinho na venta,acabou por mandar o burocrata à merda.

O assunto parecia encerrado,quando a polícia federal do aeroporto,deu voz de prisão,em flagrante,ao titular da bagagem sob a acusação do crime de descaminho.

Não adiantou espernear,alegar que se tratava de objetos sem valor que deveriam ser recondicionados; a merda subira à cabeça do ofendido que não perdoou.

E o marido,como soe acontecer,acabou pagando o pato.

Implorei para minha mulher levar a patota de volta para nossa casa,com as armas e bagagens,remanescentes.

Depois, seguindo meu instinto e o fato de ter sido agraciado pelo prêmio Tobias Barreto de matérias de direito criminal,comecei a operar em três vias paralelas.

A primeira ligada à assessoria do meu amigo catedrático,

A segunda,solicitando apoio funcional e logístico de meu filho e sócio D. André!

Além de dividir com ele as dúvidas que tinha.

E mais,obter documentação que estava no escritório.

E a terceira,talvez a mais importante, tentar convencer os federais e eventuais magistrados de que se tratava de gigantesco equívoco.

Parti logo para expor meu currículo,quem era e o que fizera.

Em meia hora, a direção do vento mudara. Já se falava em exagero de autuação,provas inconsistentes,perícia não realizada,abuso de autoridade,e o mais extraordinário.

Porque não apareci mais cedo no cenário. Agora era tarde demais pois a autuação já fora registrada.

Neste meio tempo,a petição do rapaz não surtiu efeito e recebi uma informação importante.

Se o indiciado não fosse transferido para o presídio até as 18 horas teria que pernoitar onde estava.

Este tornou-se agora meu principal objetivo.

Providenciei a compra de uma batelada dos mais refinados aperitivos, para o preso e os policiais o que transformou a delegacia numa happy hour.

Nosso papo foi ficando cada vez mais descontraído e quando se deram conta,já havia transcorrido o prazo fatal.

Ganhamos o primeiro round.

O jogo recomeçaria,bem cedo,na manhã de domingo.

Retornamos à federal,para saber como fora a noite do menino, dar-lhe uma injeção de ânimo,roupa limpa e reavaliar a situação.

Parecia tudo tranquilo.

Logo depois,recebi um telefonema do meu amigo,perguntando,gentilmente,

como iam as coisas e para acalmar-me.

Disse que na segunda-feira entraria com o novo pedido de habeas corpus,desta vez na segunda instância.

Estava convencido que,no máximo em uma semana,seu constituinte estaria na rua.

Agradeci,e voltei à minha missão principal.

Confortar o prisioneiro.

Então percebi que o clima mudara.Uma movimentação estranha.

Alguns agentes,colocavam coletes à prova de balas e,evitavam cruzar o olhar.

Então a bomba caiu.

Constrangido,o delegado chamou-me num canto, e para que a mãe não ouvisse,informou que não poderia mais segurar.

Tinha que transferir,imediatamente,o custodiado para o presídio.

Fazendo das tripas,coração,não tive outro remédio senão transmitir a notícia para Cecília.

Como esperado,reagiu muito mal.

Num choro convulsivo,repetia sem cessar;

“ Deus já me tirou um filho;agora quer levar-me o outro!”

Momentos duros,mas a guerra apenas começava.

Foi então que o pior aconteceu.

Carlos Eduardo foi conduzido,algemado, para um SUV blindado.

Para minha surpresa,estavam fortemente armados.

Discretamente,com a intimidade adquirida,perguntei gozador;

“ Caramba! Tudo isto para impedir que o sujeito fuja?”

Sua resposta foi,falando sério ;

“Não,doutor. É para nos proteger dos bandidos. Não esqueça que vamos passar entre o Complexo da Maré e Nova Holanda. Todo cuidado é pouco!”

Só me restou desejar boa sorte.

Neste meio tempo,André chegou trazendo o endereço e a hora de abertura da delegacia de plantão.

A duras penas,tive que entregar Cecília à própria sorte.

Pedi que olhassem por ela e, sem perder tempo, lá estávamos nós,munidos da papelada -que provaria a residência do investigado no Brasil,- obtida meio no tranco - um apartamento na Lagoa em seu nome,e outras mumunhas.

Pedi logo uma audiência à juíza de plantão e confiando na minha experiência,currículo e no meu charme, iniciei o diálogo.

De cara,chutei a bola pra fora.

Como era jovem e bonitinha tratei -a de você.

Primeira repreensão: Excelência!

Depois,com toda honestidade,apelei para a piedade da mãe usando o sofrimento da mãe que já perdera um filho e temia pelo sobrevivente.

Segunda palmada. Nunca esqueci as palavras;

“ O Escadinha também tem mãe !”

Saí derrotado,voltando ao balcão do cartório, aos prantos não ensaiados.

Como não havia outro pedinte,

as senhoras,vieram consolar-me dando-me a oportunidade de contar minha versão do ocorrido.

Certamente,estavam acostumadas a crimes muito mais virulentos.

E André e eu,fazíamos um par com cara de buena gente.

A tortura prosseguiu e diante do nosso fracasso,nada mais restava do que irmos embora e tentar outra solução.

Pensara até em procurar um desembargador da família da Cecília para eventualmente telefonar para a juíza,atestando que seu filho era um sério rapaz.

Mas isto era contrário aos nossos princípios e a ideia abandonada.

Quando já nos encontrávamos na saída, a chefe do cartório nos alcançou e,solidária ,nos deu a boa notícia.

Depois de muitos apelos do pessoal,ela concordou em expedir um alvará de soltura provisório mediante depósito de caução de um valor que achei razoável.

Precisava,apenas,redigir e preparar a petição.

Chegou a hora do meu filho salvar a pátria,executando a tarefa.O cheque - meio de pagamento utilizado à época - ficou por minha conta.

Pouco depois,saíamos vencedores,portando o alvará de soltura.

Porém a guerra estava longe de acabar.

A próxima etapa seria dar baixa no cadastro de encarcerados, uma espécie de nada consta,indispensável para a saída do presídio.

Lá fomos nós,para o respectivo cartório.

Começava nossa corrida contra o relógio.

Ao lá chegar encontramos o único escrevente - lembrem que era domingo - assistindo a uma partida de futebol.

Subindo pelas paredes,tive que esperar o intervalo para conseguir falar e pleitear com o torcedor.

Aí a urgência mudou de lado.

Antes do reinício do jogo,estávamos com o documento em mãos.

A burocracia seguia operando.

Só um oficial de justiça,credenciado no cartório,poderia apresentar a porra do papel,

para o diretor da penitenciária.

Por obra e graça do meu anjo da guarda,adentra o próprio,para buscar qualquer coisa no escritório ao lado.

Um nordestino arretado,baixinho e de alpercatas dominicais,que prontamente aceitou o múnus.

Pulamos num táxi, e zarpamos para Bangu.

No caminho,em direção ao Rebouças, o carro passaria,obrigatoriamente,defronte a nossa casa.

Telefonei para minha mulher pedindo que descesse,pois queria fazer-lhe uma surpresa.

Quando a vi,acenando com o alvará,bem no estilo Gary Cooper,gritei;

“ Vou buscar o teu filhinho!”

Nossa chegada foi indescritível.

Domingo,dia de visita aos presos,

o ingresso ao local estava congestionado de familiares.

Um tumulto generalizado,de uma multidão de visitantes,aflitos,emocionados,gritando,

abraçando seus queridos entre cestas de comida e outros regalos.

Minha neurose entrou em ação.

Pensei logo num motim,uma fuga planejada,reféns,tiroteio e os cambau.

Uns poucos agentes vigiavam,sonolentos ,

a confraternização.

Admirado pela facilidade,fomos adentrando e informei a um tipo que parecia da casa,que gostaria de falar com o diretor.

E para reforçar,apresentei a carteira da OAB.

Ele voltou acompanhado por um graduado oficial,um gigante de ébano, que questionou o assunto.

Ao saber declarou que a chefia já havia saído e que ele o substituto.

Para minha surpresa,o oficial de justiça, tomou-me a frente e anunciou nossa missão.

Era portador de um mandado ,de soltura para libertar o …

Foi interrompido pela autoridade que,arrancou-lhe da mão o papelucho,deu uma olhada e retrucou.

“ Não vai não! Este documento não está completo! “

E irritado,o jogou de volta na cara do nordestino.

Que não se intimidou. Do alto dos seus cento e cinquenta centímetros,revidou.

“ Então meu caro, esteja preso!”

Não acreditava no que acabara de ouvir.

O gigante,por sua vez,dobrou a parada.

“ Preso, eu? Seu,pau de arara de araque.”E foi colocando a mão no coldre.

Senti o bafo da morte no cangote.

Enquanto meu filho afastava o cabra da peste, Dr. Menasche ,tomava,gentilmente o mastodonte pelo braço e começava uma peroração crucial.

Iniciou por um pedido de desculpas,esculhambando,levemente a conduta do nanico.

Fora,infelizmente,muito inábil na forma que se conduziu.

E comentei,en passant,que era advogado e que sempre pleiteara os acordos e a concórdia.

Minhas palavras produziram um efeito milagroso.

O titã acalmou-se e confessou,

fraternalmente,estar terminando o quinto ano da Faculdade de Direito.

Foi a deixa que precisava para virar o jogo.

Do alto de minha idade, dos lauréis, de minha carreira excepcional,do meu lado artístico paralelo, transformei o Minotauro num bezerrinho.

Pelo seu lado,André um rapaz doce,gentil,educado e persuasivo,acalmava o furão, que reconheceu seu destempero.

Tudo revelava um happy end de novela.

As partes descobriram,solidárias,a razão do problema.

Faltava,ainda no documento a chancela da Polícia Federal,que era em verdade,a titular sobre a custódia do preso.

A transferência para Bangu,devia-se,exclusivamente, às obras na carceragem competente.

Com a nova equipe em ação,lutando contra o relógio,os visitantes dando adeus, consegui contatar meus novos amigos que,numa velocidade espetacular,trouxeram o carimbo e a mão,santificando o bendito papel.

Com a torcida de todos, desci até as masmorras,onde já me esperava,fora das grades,o libertado.

Depois dos beijos e abraços,achei que estava,por demais,tranquilo.

Quando fiz menção de informar a família, disse-me ao pé do ouvido,que não precisava.

Já sabia que seria liberado e já havia informado ao pessoal.

Detalhes no carro.

Nossa saída mereceria , um fundo musical à escolha dos leitores.

A direção chamou-nos um táxi,as despedidas foram calorosas com agradecimentos recíprocos.

Deixamos o baixinho em casa, e no caminho ouvimos a história do ex -preso.

Na sua chegada,começaram as dúvidas e problemas.

Era,na verdade,o primeiro caso de um cliente da Polícia Federal,para lá transferido por razões de logística.

Por este motivo,não sabiam,exatamente,onde o deveriam omiziar.

Quem,finalmente,bateu o martelo foi o Ministério Público Estadual que,por analogia,mandou encarcerá-lo junto aos traficantes de droga.

Tudo isso lhe foi comunicado pelos próprios sempre bem informados.

Foi recebido,cordialmente,pelos colegas.

Lhe ofereceram biscoitos e suco de laranja.

E como,supremo favor,um celular para uso restrito,como um rápido alô,para a família.

Na verdade,sua estadia na prisão foi apenas de horas, nas quais recebia informações sobre nossa atuação e resultados.

Por este motivo,sabia de antemão, que estávamos a caminho para libertá-lo.

Privilégios adquiridos através de muita pecúnia.

Nossa chegada foi uma festa.

Muitos beijos,abraços, lágrimas e agradecimentos aos heróis,

Fomos comemorar no Mario’s nossa vitória.

No dia seguinte,uma segunda-feira, marquei uma visita ao escritório dos advogados,que até então,não sabiam do desenlace.

Cheguei,um pouco mais cedo,portando duas garrafas de malt sob o braço.

Como o titular ainda não havia chegado,fui recepcionado pelo assistente a quem presenteei

uma das prendas.

Ficou intrigado pelo presente e pelo meu ar descontraído.

Perguntou-me se tudo estava bem e confirmou o pedido de habeas corpus.

Acabei não resistindo.

Contei a ele que seu cliente já dormira em casa ontem à noite.

Achou que estava brincando e,desafiando,perguntou como foi.

Contei,resumidamente e ele insistiu perguntando como conseguira convencer a juíza .

Bem pertinho do rapaz,soprei no ouvido dele.

“ Vou te contar um segredo. Não diga pra ninguém!

Sabe como foi? Cheguei pertinho dela e botei meu pinto pra fora. Ela olhou,olhou e disse. Que bonitinho! E assinou o alvará!”

Não teve tempo para reagir,interrompido pela presença do chefe,que me convidou para sua sala.

Lá revelei o acontecido com riqueza de detalhes.

Sua reação foi simples e direta.

“Parabéns,meu caro. Sua atuação foi surpreendente!

Mas o processo não acabou.

Está,apenas,começando.

Vamos conseguir defendê-lo em liberdade,sujeito a um bocado de restrições.

Perguntei a respeito de honorários.

Sua resposta,foi clara e definitiva.

“Amigo meu não paga honorários! Agora o importante é resolver o problema.”

Agradeci penhorado e fui embora,deixando o presente na escrivaninha.

Faltava, ainda, resolver uma coisa.

O que ofertar ao pessoal do cartório,que vestiu nossa camisa e nos ajudou,decisivamente,

para convencer a magistrada.

Pensamos muito,para evitar qualquer conotação com a ideia de prevaricação.

Nossa decisão foi enviar,o que foi feito,um belo ramalhete de flores,acompanhado por um cartão que dizia,apenas, a palavra Obrigado.

Enquanto isso,

o processo prosseguia com a lerdeza habitual.

Infelizmente, o caso do investigado não lhe permitia viajar sem o consentimento expresso do juizado competente.

O que o arriscava perder o emprego

Por outro lado,os meninos precisavam retornar à escola.

A pressão foi se tornando insuportável.

Até que uma decisão foi tomada com o consenso geral.

Retornar para Miami o mais rápido possível.

Decidimos acompanhar a família.

Apesar da distância,continuava a manter contato com os advogados e o filho.

Com o correr do tempo,a situação se tornara desesperadora.

Depois de tanto esforço e sacrifício,acabaríamos por morrer na praia.

Procurei proteger a patota do stress infernal,tomando para mim,secretamente, o encargo de fazer o follow up e assumir as decisões.

Pelo andar da carruagem,não tinha a menor esperança de encontrar uma solução razoável pelos meios legais.

Numa conferência com os assessores,da qual participou o colado, depois de examinarmos as poucas alternativas,bati o martelo.

Correr todos os riscos e voltar para casa no peito!

Naquela noite não consegui dormir um só minuto.

Acompanhava o roteiro pari passo.

Teria ele embarcado,ou estaria detido pela federal?

A resposta só poderia aparecer muitas horas depois.

Só me restava esperar,deitado no meu leito,amargando meu segredo.

Ao alvorecer,um ruído no andar de baixo.

Calibro o ouvido e ouço o barulho de uma porta se abrindo.

Depois a voz conhecida de uma mulher gritando ,alegremente entre soluços.

A Fênix aterrissou. Deus seja louvado!

O pano caiu sobre o proscênio.

Esta história chegou ao FIM.

Epílogo.

O processo foi arquivado,a pedido do Ministério Público por insuficiência de provas.

Anos depois,um ofício nos transmite o laudo do perito que examinou o apreendido pela alfândega,e que deu origem a esta sequência de atribulações.

“ Certifico que os objetos periciados revelam peças de nenhum valor. Apenas sucata

cibernética!”

OPorto,6 de outubro de 2026.

🦖👍⚖️🔍🤞🤷‍♂️🔍🇧🇷🤞🎓🙏

🧿

Texto enviado pela família, com revisão ortográfica e gramatical autorizada. Estilo e voz do autor preservados.

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